
Por: Nuno Matias
Artigo Publicado no Jornal "Notícias de Almada"
Presidente do PSD/Almada e Vereador da CMA
No próximo dia 5 de Junho os portugueses são chamados novamente a decidir quem desejam para governar o nosso país e para liderar os destinos da nossa sociedade.
E antes de mais é fundamental esclarecer porque é que vamos a votos. Ao contrário do enredo soturno da telenovela de vitimização inventado pelo actual Primeiro-ministro Sócrates, se temos esta crise é por única e exclusiva responsabilidade do actual governo que mentiu, omitiu, desrespeitou os órgãos de soberania e todos os portugueses.
Vamos ter eleições não apenas porque o PEC4 foi mais uma resposta errada, desadequada e tecnicamente desequilibrada, mas acima de tudo, porque o Partido Socialista e o Engº Sócrates resolveram negociar uma ajuda externa com a União Europeia e assumir compromissos sem que antes tivessem querido encontrar uma solução pensada, debatida e consensualizada com os diversos agentes políticos portugueses.
Não foi a oposição que quis eleições. Foi o PS e José Sócrates que as desejaram, para que, num acto desesperado de vitimização, tivessem algum argumento de comunicação, pois dificilmente se encontram pontos positivos na (des)governação socialista que pudessem ser usados.
É hoje evidente, que o governo PS já sabia que estávamos a ficar com problemas de liquidez no Estado fruto do galopante nível de endividamento e dos custos do serviço da dívida. Sabia-se também que durante o mês de Abril o Banco Central Europeu (BCE) iria cortar o financiamento ao mercado interbancário o que leva a que não mais os bancos possam comprar dívida pública. Desconfia-se, muito seriamente, que a execução orçamental do Estado, sobretudo a partir de Março/Abril, vai começar a dar sinais de incapacidade de controlo da despesa corrente primária, por falta de coragem do actual governo em cortar onde realmente se cometem excessos irresponsáveis e intoleráveis.
O Governo e José Sócrates sabiam isto e prepararam, de forma maquiavélica (porque para o PS os fins justificam todos os meios...), tudo para que fosse impossível evitar uma crise política que conduzisse a eleições antecipadas. Não havendo nada para mostrar de obra feita, não havendo resultados objectivos de rumo estratégico por parte do actual governo, restava ao PS a velha táctica da mentira e da vitimização de quem tendo a culpa procura “sacudir a água do capote”.
Torna-se pois evidente que o PS é duplamente responsável pelo tempo e momento difícil que vivemos.
É responsável, porque foi o causador da crise estrutural que vivemos e que começou em 1995 com António Guterres e continuou com o actual governo Sócrates. Nesse período lançaram um projecto despesista de poder onde se criaram teias de interesses, clientelas, um desmultiplicar de organismos que recebiam dinheiros públicos, e que nos conduziram até ao ponto onde estamos e que apenas foi agravado conjunturalmente por uma crise financeira internacional, sendo que o problema sério já tinha sido criado.
Mas o PS é também responsável porque apesar de saber o problema que temos, não quis corrigi-lo de forma estrutural, adiou a implementação das soluções que se exigiam, e planeou uma crise de forma a tentar enganar, mais uma vez, os eleitores através de uma retórica bacoca, desavergonhada e que procura passar um atestado de ignorância intelectual aos portugueses.
Que não restem dúvidas. A crise tem um rosto que é personificado pelo Engº José Sócrates e tem no PS a origem de uma governação incompetente e irresponsável que causou sérios danos à imagem do nosso país.
Aliás, os portugueses são os primeiros a sentir e a sofrer as consequência de uma governação incapaz e que tem distorcido o funcionamento da nossa sociedade em que o exemplo mais claro é a nossa fiscalidade.
O que qualquer economista médio entende é que as receitas de impostos não são o objectivo essencial da política económica e orçamental. Os impostos não devem ser nivelados apenas porque é essa a necessidade de financiamento do Estado. Os impostos devem, isso sim, ser decididos com base na avaliação estratégica das necessidades de fazer funcionar e estimular a economia real, para incentivar o investimento, o consumo, sendo que a despesa do Estado deve ser enquadrada e nivelada neste quadro de opções estratégicas do país.
O PS nunca percebeu isto e fez sempre tudo ao contrário. Gastou o que tinha e o que não tinha. Criou organismos para desmultiplicar influências e poder, sem perceber que o endividamento tinha um limite físico que um dia seria atingido. Para o PS não se pensava nas próximas gerações mas apenas nas futuras eleições. E foi assim que chegámos até aqui...
No próximo dia 5 de Junho, nenhum português se pode deixar iludir pela conversa de José Sócrates. E não pode porquê? Porque não é a primeira vez que ele se apresenta a votos, tendo já sido candidato vencedor em 2 ocasiões com os maus resultados que todos temos sentido no nosso dia-a-dia.
Nas próximas eleições não pode haver um português que possa argumentar que não sabe já o que se espera do PS e do seu candidato José Sócrates. Sabemos que foi ele que nos trouxe a crise, o endividamento e a desconfiança que hoje o Mundo tem em relação a Portugal.
Há um ditado, e desculpem-me a franqueza e dureza da minha opinião, que diz “à primeira caiem todos, à 2ª cai quem quer, à 3ª só cai quem é burro”.
Falo com o à vontade de nunca me ter deixado enganar e nunca ter votado no PS, mas afirmo isto com o sentido de missão de quem deseja tentar chegar ao maior número de portugueses para alertar para o perigo que seria continuar a ter um governo liderado por aqueles que nos conduziram a esta crise.
Tenho a certeza que o PSD, e o seu líder, o Dr. Pedro Passos Coelho, saberão apresentar um projecto de confiança, de esperança e de profunda mudança de mentalidades de forma a garantir que o Estado passará a servir os cidadãos e nunca mais a servir-se da riqueza produzida por todos nós.
O projecto do PSD é liderado por uma pessoa inteligente, humilde, sensata, e que está preparado para governar Portugal. O projecto está alicerçado numa visão de criação de riqueza e de redimensionamento do Estado de forma a que todos tenhamos igualdade de oportunidades. Serão ideias concretas (que no próximo artigo irei aprofundar) para combater os problemas concretos que todos vivemos. No PSD não prometeremos facilidades, assumiremos o compromisso de seriedade e criaremos um laço de confiança com os portugueses.
Porque queremos mostrar que há uma crise grave que tem responsáveis, mas há um caminho para sairmos dela. Porque queremos mostrar que os Políticos não são todos iguais.
Eu tenho confiança que no dia 5 de Junho nenhum português se vai deixar enganar pela 3ª vez. Porque há 1ª ainda se pode compreender o erro, à 2ª é difícil de aceitar o engano, mas à 3ª seria uma falha imperdoável que poria em causa o futuro e a independência financeira e política de Portugal. Eu não me deixo enganar! E você?
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